— Diferentes cores. Diferentes crianças. Crianças de cores diferentes.

Alpha 5 tinha razão. Vermelho, rosa, azul, amarelo e preto. Uma latina, um asiático, um negro, um americano e uma britânica fingindo ser americana. O reboot de Power Rangers está longe de ser apenas uma ode à diversidade como já estamos acostumados de ver na famosa série, mas também é uma homenagem a esse “tokusatsu americano” que fez a cabeça de muitas crianças.

Começando pelas diferentes personalidades, mas que no fim, se completam. O diretor Dean Israelite montou um elenco para não se colocar defeito. Com Drace Montgomery como o líder; mas com RJ Cyler sendo quem realmente rouba as cenas; com a bela Becky G e o talento de Naomie Scott, além do estilo despojado de Ludi Lin, eles quase formam um novo “Clube dos Cinco”.

Com isso, cada um dos atores consegue ter seu momento e assim equilibrar a balança. Muitas vezes, mal se percebe a liderança do Ranger Vermelho, já que cada um possui uma importância equivalente. E isso também vale para os personagens que aparecem bem pouco, como o Alpha 5, Zordon interpretado por Bryan Cranston e Elizabeth Banks em uma versão bem mais “repulsiva” da Rita Repulsa.

E a semelhança com o clássico “Clube dos Cinco” não para apenas no elenco. Grande parte do roteiro se baseia na história de John Hughes, desde os momentos em que os personagens estão presos na sala de detenção até a amizade improvável repleta de confissões amarguradas de cada um deles.

Mas se isso ajudou a construir um clima saudosista e gostoso, a criatividade atrapalhou alguns pontos. Da mesma forma que é interessante ver como os cinco se tornam amigos, também é confuso ao perceber como tudo se encaixa tão rápido. É nesse momento que entram as famosas “coincidências”, mas nada que torne a experiência do filme ruim.


Até por que nos momentos em que algo está para dar errado, o talento de RJ Cyler consegue fazer o público olhar para o outro lado. Parece exagero falar novamente do ator de “Eu, Você e a Garota que vai morrer”, mas com toda a presença dele na tela, não é difícil dizer que RJ tem um futuro promissor.

Nesse ritmo, o público é apresentado às novas armaduras e no tom mais obscuro, mas sem perder o famoso “Go, go, Power Rangers” e as diversas referências a obra original. O longa trabalha muito bem com humor e drama, conseguir saber as horas certas para “zoar” com a sua própria mitologia e ainda sair por cima com essa.

“Power Rangers” não é apenas mais uma tentativa de colocar os “heróis coloridos” no cinema ou um “caça-níqueis” da produtora Lionsgate, mas sim, um blockbuster bem pensado. Feito para divertir e não ser levado a sério. A verdade é que os que não estavam esperando nada por esse filme, serão os que vão sair mais entretidos com a produção.

*O filme possui uma cena pós-créditos