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Cores vibrantes, dancinhas, calor, pobreza, luxo, palácios… Seja bem-vindo a Índia! Ou melhor, bem-vindo de volta. Esse país repleto de contrastes é pano de fundo para a continuação do filme do inglês John Madden, que traz o mesmo elenco do anterior, com a adição de mais alguns nomes famosos. Uma tradução literal do título original, “O Segundo Melhor Exótico Hotel Marigold”, mesmo soando cacofônica provavelmente faria mais sentido, já que esta continuação acabou não se provando melhor que o primeiro.

O Exótico Hotel Marigold 2 se inicia com Sonny (Dev Patel) e Muriel (Maggie Smith) chegando em San Diego para se filiar a uma rede de hotéis americana. Agora que seu hotel está cheio, Sonny pretende expandir e está de olho em uma propriedade em potencial para inaugurar o Segundo Melhor Hotel Marigold, tudo isso em meio aos preparativos de seu casamento com Sunaina (Tena Desae). O filme foi dividido em três partes e embora a maioria dos personagens tenham seus momentos, os de Dev Patel e Maggie Smith ganham mais destaque, tornando a história deles mais aprofundada que dos demais. O Sonny ambicioso do primeiro se mantem e agora mostra também um lado inseguro, o que acaba lhe rendendo alguns problemas, mas nada que o torne menos corajoso. Quem sentiu falta de Dev Patel dançando no primeiro, pode conferir ele repetindo suas habilidades de Quem Quer Ser um Milionário? neste segundo. Já Muriel “mudou da água para o vinho”: a personagem ranzinza e preconceituosa do primeiro filme dá lugar a uma sócia gentil e atenciosa que, mesmo mantendo um pouco da frigidez britânica, está totalmente adaptada ao ambiente. Claro que nada disso impede que Maggie Smith nos maravilhe novamente com sua atuação – suas tiradas engraçadas nos remetem até mesmo a uma outra personagem sua, totalmente oposta a essa, a Lady Violet Grantham de Downton Abbey.

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Continuações não tendem a superar facilmente seus antecessores e O Exótico Hotel Marigold 2 quase se mantem no mesmo nível que o anterior, mas acaba por cair um pouco. Indo na contramão de filmes como Simplesmente Amor, com suas histórias independentes que se entrelaçam apenas no final, aqui elas já se iniciam misturadas e desenvolvem histórias semi independentes do núcleo principal, no mesmo estilo das novelas brasileiras. E se numa novela geralmente é necessário entre setenta e noventa capítulos para desenvolver a história de todos os personagens, um filme de duas horas estará condenado a pecar nesse aspecto desde o início. Então não é uma surpresa tão inesperada que a expansão do Marigold não traga a expansão de alguns de seus personagens, como Jean, por exemplo, personagem de Penelope Wilton. Mesmo gostando de Wilton, a presença de Jean nesse filme é inteiramente inútil, servindo apenas para dar um gás ao relacionamento de Douglas Ainslie (Bill Nighy) e Evelyn Greenslade (Judi Dench) – esses sim mais desenvolvidos. Outra personagem rasa é Madge (Celia Imrie) e seus dois pretendentes, que aparentam ser completos imbecis; não é à toa, portanto, que Madge acabe por escolher um terceiro.

Richard Gere entra para reforçar o time da terceira idade e, mesmo com a sensação de “mesmo personagem, filme diferente”, ele não passa despercebido com seu personagem, Guy, indo atrás da mãe de Sonny. A história de Norman (Ronald Pickup) e Carol (Diana Hardcastle) também avança e rende momento hilariantes para o filme. E o melhor de tudo: com um elenco desse tipo, temos piadas sobre idosos que só mesmo eles teriam autonomia para fazê-las. Os clichês estão presentes e, na maioria das vezes, acabam trazendo certa leveza à história. No entanto alguns poluem, como no caso do dono da franquia aparecendo no final – extremamente piegas!

Dito tudo isso, temos agora algo que merece reconhecimento (em ambos os filmes): o cenário. Em nenhum momento ele deixa de parecer exótico aos nossos olhos ocidentais, mas O Exótico Hotel Marigold demonstra que não é necessário ser caricato para passar tal ideia. E mesmo quando mostra a pobreza extrema na Índia (afinal, a vida não é feita apenas de palácios), o filme trata a questão com respeito e muito mais próximo do real do que estamos acostumados a ver em produções do tipo. O mesmo vale para o figurino: coloridos, mas nem por isso fantasiosos.

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Por fim, a dancinha! É comum filmes de Bollywood se encerrarem com todo o elenco dançando, algo que produções estrangeiras que ambientam suas histórias na Índia também tendem a fazer. Enquanto o primeiro filme ganha pontos por não se encerrar com uma dança indiana qualquer, nesta sequência o filme abre e fecha com música. Calma, as danças aqui estão contextualizadas (ufa!). A sequência no contraluz de Sunaina ensaiando para seu casamento é muito linda e próximo ao final há a dança do casamento. Mesmo para aqueles que não gostam ou não conseguem requebrar muito bem, a vontade é de sair dançando ao som envolvente da trilha sonora.

O Exótico Hotel Marigold 2 estreia hoje, dia 07 de maio de 2015, e teve uma première em Recife, no dia 02, contando com a presença do diretor, John Madden, o mesmo de Shakespeare Apaixonado, filme que lhe rendeu uma indicação ao Oscar. O elenco é formado por Dev Patel (Quem Quer ser um Milionário?), Maggie Smith (Downton Abbey), Judi Dench (Philomena), Bill Nighy (Pride), Celia Imrie (Um Plano Brilhante), Penelope Wilton (Downton Abbey), Ronald Pickup (Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo) e Richard Gere (A Negociação).