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8 Fatias Especial: As melhores apresentações do Rock In Rio 2013

Nas últimas semanas não se falava em outra coisa a não ser sobre a quinta edição do festival Rock In Rio, que rolou aqui na Cidade Maravilhosa e, como previsto, dividiu opiniões sobre a relação de suas atrações com o “verdadeiro conceito” do festival. Enfim, haters gonna hate, mas outros ritmos além do rock contribuíram quase que integralmente para que essa edição ficasse na história do festival. E nós do Pizza iremos listar aqui, segundo nosso ponto de vista, os show que mais abalaram as estruturas nos últimos dois fins-de-semana do Rio de Janeiro.

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Foto: iHateFlash

FATIA #08: BRUCE SPRINGSTEEN

Tio Bruce foi, sem dúvidas, uma das atrações mais aguardadas de todos os dias dessa edição. Muitos que se limitam apenas ao núcleo pop deste line-up irá torcer o nariz ao ver o nome do veterano aqui nessa lista, mas é inadmissível achar que a passagem do cara por aqui não deve ser reconhecida. Com uma setlist um tanto extensa, Bruce fez um show nostálgico e contagiante, onde fez questão de esbanjar seu carisma e seu respeitável talento como músico.

 

FATIA #07: JESSIE J

A britânica Jessie J integrou o line-up do terceiro dia do festival, que muitos achavam que iria “flopar” pelo fato de não ter artistas que possuem fanbases grandes em território brasileiro. Doce ilusão. Para surpresa de todos, Jessica realizou um dos shows mais contagiantes da noite e conquistou a simpatia até daqueles que a conheciam apenas como “aquela de ‘Price Tag‘”. Os fãs mais ligados também não tiveram do que reclamar: Jessie incluiu no setlist músicas como “Excuse My Rude” e “Square One“, ambas inclusas no Alive, álbum novíssimo da gata.

 

FATIA #06: THE OFFSPRING 

Poucos sabem, mas o agito deste Rock In Rio não se concentrou apenas no Palco Mundo, o principal do festival. Foi no Palco Sunset que também rolou shows incríveis de bandas de grande renome. Entre elas, a veterana do punk-rock The Offspring: com um setlist generoso e recheado de grandes e icônicos sucessos da banda, os titios souberam comandar o palco alternativo do festival como ninguém e provar que mereciam estar no palco Mundo mais do que muita bandinha que só se limitou a fazer covers, falar meia dúzia de palavrões e criticar a politica nacional. Enfim… próximo!

 

FATIA #05: NICKELBACK

A trupe canadense de Chad Kroeger, em sua primeira vinda ao Brasil, fez um senhor show na segunda semana do RIR. Focando na sua consagrada sonoridade rock e fugindo do som quase-country do último disco, o Here And Now, Nickelback realizou um dos mais supreendentes e animados shows de todo o festival, mesclando hits novos e antigos pra nenhum fã botar defeito!

 

FATIA #04: BEYONCÉ

A atração mais aguardada e criticada de todo o festival foi a atração principal do primeiro dia de festival. Com setlist e produção baseadas em sua turnê Mrs. Carter Show, Beyoncé mandou ver no vozeirão e nas coreografias complexas. O único defeito da texana foi gastar seu tempo na arena colocando tantos vídeos de interlúdio e descartando algumas músicas do set original. Por outro lado, Bey deixou todos de boca aberta quando dançou o funk carioca “Passinho do Volante” ( vulgo “Ah Le Lek“) no final do show, para delírio doa fãs e desespero dos roqueiros xiitas que tanto criticaram a presença da moça desde seu anuncio como headliner deste ano no festival.

 

FATIA #03: FLORENCE + THE MACHINE

Levando a fatia de bronze na nossa lista, temos Florence + the Machine. Foi a segunda vez da banda britânica no Brasil e, aem dúvidas, uma das experiências mais insanas da história do festival. Com uma presença de palco e uma potência vocal incomparável, Florence Welch foi carismática com o público e botou todos para cantar junto com ela e pularem ao som dos hits dos álbuns Lungs e Ceremonials.

 

FATIA #02: JUSTIN TIMBERLAKE

Foi difícil escolher quem ficaria com o posto de mais animado de todos os dias, principalmente tendo Justin Timberlake no meio dessa disputa. Entretanto, na tentativa de sermos bem imparciais, o muso do pop levou a fatia de prata aqui na nossa listinha. Cantando absolutamente TODOS os hits de sua carreira solo, JT definiu para muitos o show principal do terceiro dia do festival como uma experiência pop contagiante. Em termos de setlist, nenhum fã pôde colocar defeito: rolou até tempo de sobra pra fazer cover de Jackson Five e da banda INXS. Digno de aplausos.

 

FATIA #01: 30 SECONDS TO MARS

E finalmente, a fatia de ouro! Quem faturou o topo do nosso pódio foi a banda 30 Seconds to Mars. Baseado na turnê de divulgação do álbum Love Lust Faith + Dreams, a turma de Jared Leto colocou todos pra pular e contemplar o show mais empolgante desta edição: balões coloridos, chuva de papel picado e principalmente Jared performando um medley acústico dos sucessos “Hurricane” e “The Kill” diretamente da tirolesa Heineken – o brinquedo mais disputado da Cidade do Rock. Isso sem contar no final do show onde diversos fãs subiram ao palco para cantar junto com a banda o hit “Up In The Air“. Quem aí já está com saudades?

 

MENÇÕES HONROSAS

Muitos artistas passaram pela Cidade do Rock nesses dois fins de semana, e cada um deu um show a parte para o seu público, todos distribuidos numa programação justa e inclusiva. Alguns se destacaram e receberam aplausos: além dos citados acima, atrações como Iron Maiden, Kimbra (que mandou muito bem com o Olodum), MuseJohn Mayer merecem menções honrosas.

Os metaleiros fizeram um show com um setlist que compensou a espera dos fãs bizarros que já aguardavam ansiosamente um dia antes do show; a novata neozelandesa Kimbra conquistou todos do Sunset com sua beleza e excentricidade do palco, combinando seu pop experimental com os batuques do grupo brazuca; já os britânicos do Muse fizeram um espetáculo hipnotizante com muita pirotecnia acompanhados por um público que tinha as letras na ponta da língua; e o galã John Mayer impressionou não só pela voz e arranjos românticos, mas também pelo surpreendente talento como guitarrista.

PONTOS FRACOS

Claro que também tiveram aqueles que atraíram uma multidão, mas não souberam cativar o público, tampouco alcançar as expectativas dos presentes. Três exemplos podem ser citados aqui: Alice in Chains, Ghost e (principalmente) Bon Jovi.

Os pioneiros renomados do movimento grunge chegaram e levaram muitos ao delírio, porém não souberam fazer um show envolvente por conta da pouca presença de palco do atual vocalista William DuVall. O que salvou o show de ser o grande desgosto da edição foi o fato do cara ter uma boa voz, e do setlist estar bem equilibrado para o nível de importância do festival. E só.

A banda Ghost trouxe um estilo bem peculiar (até demais) para o palco Mundo: um ritual religioso bizarro em formato de show de rock. Em outros casos, isso levaria a plateia metaleira ao êxtase, porém dessa vez a maioria dos olhares que era perceptível no local era de “WTF?”. Boa tentativa, caras…

Porém a grande decepção da noite foi, com certeza,  os caras do Bon Jovi. Talvez não seja decepção a palavra correta, mas sim “superestimação”. A galera botou um gás enorme para um show que, francamente, não foi tudo isso. E o problema não é nem a banda em si, pois quem os conhece sabe que no palco eles são contagiantes e alegres, porém neste Rock In Rio foi bem diferente a banda estava um tanto fria e os vocais de Jon não estavam lá essas coisas. A plateia também não ajudou no quesito animação: até nos hits mais empolgantes como “It’s My Life” e “Have A Nice Day“, o clima estava bem estagnado. Uma pena, pois é uma banda ótima que poderia ter feito um show incrível pra ficar na história do festival.

CONCLUSÃO

Ainda hoje, neste exato momento, existem pessoas que estão se queixando da “falta de rock” nesta edição. O que muitos não se lembram é que, desde a sua terceira edição, em 2001, o festival já veio mostrando uma imagem mais comercial se comparada às primeiras duas  edições. Para ampliar seu público, os produtores resolveram apostar em figuras que possuíam um alcance um pouco mais abrangente na música. Não desmerecendo o gênero rock, mas se tem uma coisa que não podemos negar é que, desde os anos 90, o cenário pop conquistou uma legião de admiradores, e isso foi uma estratégia que os produtores deste evento usaram para tornar seu negócio um pouco mais famo$o. Sem contar que, analisando bem as boas bandas de rock que muitos querem e exigem presença no festival: muitas poderiam ter sido convidadas, porém não devem ter aceitado por questões de compromisso de agenda, exigências financeiras ou até mesmo puro orgulho. Este é um assunto delicado, que renderia um enorme post e extensas discussões.

O que queremos dizer é que: absorver esse pensamento limitado de que o Rock In Rio só é bom e aceitável se o Rock estiver predominantemente presente equivale, por exemplo, ao fato de achar que no Brasil só pode morar se for brasileiro. Até porque, se voltarmos lá atrás, vamos nos lembrar de que o ritmo “rock” não é nada mais que uma brincadeira originada de outros ritmos como country e alguns segmentos da black music, passando até mesmo por alguns flertes com a música clássica, se for analisar a sua estrutura em si. Com isso, podemos até mesmo admitir que a proposta do rock é, na verdade, proporcionar uma harmonia de vários ritmos e estilos. E nada mais justo que um formato como o do Rock In Rio, não é mesmo? Além do mais, o país tem passado por tantos problemas, e particularmente “atrações do Rock In Rio” não é uma coisa tããão importante para nos preocuparmos, não é mesmo? Até 2015!

postado por: Pizza de Ontem
data: 26/09/2013
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